Eva percorrendo umas vezes estradas, outras veredas. Caminhando sempre com amor e a esperança de encontrar a porta certa. Parando de vez em quando para retemperar forças... admirar uma flor… uma paisagem… fazer novas amizades... e meditar... e reencontrar velhos amigos... e demais companheiros de jornada!
Domingo, 23 de Novembro de 2008
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...Ora pois, talvez pela primeira vez na minha vida (eu, considerado como alguém que faz meditação todos os dias!) peguei na lâmpada, e deixando a zona, aparentemente clara, das minhas ocupações e das minhas relações quotidianas, desci ao mais íntimo de mim mesmo, ao abismo profundo donde sinto confusamente que emana o meu poder de acção. Ora, à medida que eu me afastava das evidências convencionais com que é superficialmente iluminada a vida social, notei que me escapava a mim mesmo. A cada degrau descido, descobria-se em mim um outro personagem, cujo nome exacto já não podia dizer e que já me não obedecia. E quando tive de parar na minha exploração, por me faltar o terreno debaixo dos pés, deparava-se-me um abismo sem fundo donde saía, vinda não sei donde, a onda que eu me atrevo a chamar a minha vida.
...Que ciência poderá jamais revelar ao Homem, a origem, a natureza, o regime do poder consciente de querer e de amar, de que é constituída a sua vida? Não foi o nosso esforço, com certeza, nem o esforço de ninguém à nossa volta, que desencadeou esta corrente. Também não é a nossa solicitude nem a de nenhum amigo que regula com antecedência a sua baixa ou lhe modera a efervescência. Podemos com certeza, assinalar a passo e passo no decorrer das gerações as antecedências parciais da torrente que nos faz viver. Podemos ainda com certas disciplinas ou com certos excitantes, físicos ou morais, regular ou dilatar o orifício por onde essa corrente jorra em nós. Mas nem com esta geografia, nem com estes artifícios chegamos, nem em pensamento nem na prática, a captar as fontes da vida. Recebo-me muito mais do que me faço. O homem, diz a Escritura, não pode ajuntar uma polegada à sua estatura. Menos ainda pode ele aumentar uma unidade ao seu potencial de amor, nem acelerar numa só unidade o ritmo fundamental que regula a maturação do seu espírito e do seu coração. Em última análise, a vida profunda, a vida fontal, a vida nascente furtam-se absolutamente à nossa apreensão.
...E então, perturbado com a minha descoberta, quis voltar à luz, quis esquecer o inquietante enigma no confortável ambiente das coisas familiares, – recomeçar a viver à superfície sem sondar imprudentemente os abismos. Mas eis que, sob o próprio espectáculo das agitações humanas, eu vi reaparecer diante dos meus olhos experientes, o Desconhecido de quem queria fugir. Desta vez não se ocultava no fundo de um abismo: agora, dissimulava-se por detrás da multidão dos acasos entrecruzados de que é tecida a tela do Universo e a da minha humilde individualidade. Mas era realmente o mesmo mistério: eu identifiquei-o. O nosso espírito perturba-se quando tentamos medir a profundeza do Mundo abaixo de nós. Mas vacila também quando tentamos contar as sortes favoráveis de cuja confluência resulta, a cada instante, a conservação e o perfeito desenvolvimento do menor dos seres vivos. Depois de ter tomado consciência de ser um outro e um outro maior do que eu – uma segunda coisa me causou vertigens: foi a suprema impossibilidade, a formidável inverosimilhança de me encontrar a existir no seio de um Mundo realizado com êxito.
...Neste momento, como qualquer que quiser fazer a mesma experiência interior, senti pairar sobre mim a angústia essencial do átomo perdido no Universo, – a angústia que faz sossobrar diàriamenbe vontades humanas debaixo do número esmagador dos seres vivos e dos astros. E se alguma coisa me salvou, foi o ouvir a voz evangélica, garantida por êxitos divinos, que me dizia, do mais profundo da noite: «Ego sum, noli timere» (Sou eu, não tenhas medo).
...Sim, meu Deus, assim o creio e assim o acreditarei de tanto melhor grado quanto nisso não está em jogo só o meu apaziguamento, mas o meu acabamento; sois vós que estais na origem do balanço e no termo da atracção – cujo primeiro impulso e cujas linhas de evolução eu não faço senão seguir e favorecer durante toda a minha vida. E sois Vós também que vivificais para meu bem, com a vossa omnipotência (melhor ainda do que o faz o meu espírito para com a Matéria que ele anima) as miríades de influências de que eu sou objecto a cada instante.
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de Teilhard de Chardin

in "O Meio Divino"

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publicado por eva às 17:43
Sábado, 15 de Novembro de 2008
Na minha perspectiva o MAL é como uma ausência de BEM. Também o podemos abordar de uma vertente biológica e encará-lo como uma espécie de desequilíbrio. O medo é um conceito inerente à forma física semelhante à repulsa pela dor.
Aliás encaro sempre o medo como um desequilíbrio, uma disfunção. Também não vejo o "medo" exactamente da mesma forma que vejo o "mal". Penso que há pessoas que não temem o Mal e sim a ausência do Bem. Nunca me dei muito bem com a postura de "temer a Deus" porque acho perfeitamente repugnante a ideia de temer o Bem. Se for absolutamente necessário temer, então temerei a ausência de Bem. Se temer o mal, estarei a concebê-lo, a dar-lhe forma, a materializá-lo.
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de Maria João Brito de Sousa
in “poetaporkedeusker
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publicado por eva às 22:49
Domingo, 09 de Novembro de 2008

Há 70 anos, a 9 de Novembro de 1938, o partido nazi lançou uma vasta operação contra os judeus da Alemanha e da Áustria.

 

Foram mais de 12 horas de violência e destruição contra a comunidade judaica, que causaram 90 mortos, em números oficiais, e levaram às prisões 30 mil judeus que foram presos e enviados para campos de concentração. Milhares de lojas de judeus, centenas de sinagogas e casas foram vandalizadas.

 

 

No dia 9 de Novembro de 1938 a entrada da Universidade de Erlangen já ostentava uma faixa proibindo a entrada de judeus.

 

 

 

 

Os ataques começaram na noite de 9 de Novembro de 1938 e prolongaram-se até à tarde seguinte. Com os acontecimentos destas horas - que ficaram conhecidos por Noite de Cristal (Kristallnacht) por causa do ruído dos vidros partidos - abria-se um capítulo trágico e tenebroso na história alemã, que culminaria na estratégia de extermínio do Holocausto.

 

 

 

 

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Também a 9 de Novembro, mas de 1989, caiu o Muro de Berlim, assinalando o fim duma era marcada por profundas contradições entre a ideologia e a praxis política.

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publicado por eva às 21:54
Sábado, 01 de Novembro de 2008

 

As grandes religiões do mundo, unidas nos seus núcleos esotéricos... … divergem grandemente na sua expressão esotérica porque apresentam a cosmologia de modos diferentes. Além disso, na ausência de uma ciência, mitologizam as suas cosmologias. A minha esperança é a de que, conforme ganhe força cosmológica dentro da consciência, esses mitos dêem lugar a uma re-iluminação da unidade subjacente de todas as religiões.
Vejamos a versão mitologizada da cosmologia cristã. Como Eva comeu a maçã do conhecimento mundano e persuadiu Adão a fazer o mesmo, a humanidade conheceu a separação e decaiu da perfeição do Éden. Deus, então, enviou seu filho único e amado, Jesus, para restituir a humanidade decaída ao Éden, à perfeição. Jesus, portanto, é a única porta de volta ao Éden.
Mas a história da queda a partir do Éden vem da tradição judaica, que tem uma versão diferente do fim da história. Sim, declaram as autoridades espirituais judaicas, haverá um messias, no “fim dos tempos”, que vai redimir a humanidade (ou, pelo menos, os eleitos) de volta à perfeição mas Jesus não é esse messias.
Estão traçadas, assim, as linhas de batalha: os judeus acham que os cristão são “inferiores”, porque se contentaram com um falso messias; os cristãos acham que os judeus são “inferiores”, porque “mataram Cristo”. Os muçulmanos rejeitam toda essa ideia de “filho de Deus”: Deus envia mensageiros apenas para recordar à humanidade que Deus é o seu Senhor. Moisés e Jesus estão entre esses mensageiros, mas o último, e o melhor de todos, foi Maomé.
Os hindus parecem concordar com os cristãos que Deus pode surgir, e surge, sob forma humana, como “filhos de Deus”. Sempre que as forças do mal parecem vencer o bem, Deus encarna como avatar para alcançar o bem acima do mal, ainda que temporariamente. Krishna foi um desses avatares; assim como Buda e Jesus.
Os budistas sustentam, numa outra variação do mesmo tema, que os seres humanos comuns podem readquirir a perfeição pelo esforço próprio. Esse seres aperfeiçoados, em vez de retornar para o “Éden”, permanecem no limiar dele, como bodhisattvas, até que a humanidade inteira se tenha redimido também.
O mais recente desenvolvimento do pensamento ocidental, o pós-modernismo, deu-nos o descontrucionismo (“Deus está morto” e toda a metafísica é falsa) e uma visão de mundo ecológica na qual Deus está totalmente imanente no próprio mundo. O Éden é aqui, e não há necessidade de postular transcendência, queda ou jornada espiritual de retorno.
Qual é, então, a versão certa? Nós jamais conseguiremos resolver isso pelo debate, como já demonstraram os últimos milénios. No entanto, proponho que, conforme vamos adquirindo a compreensão da cosmologia da condição humana e da natureza do caminho espiritual, todas essa versões divergentes serão vistas como expressões de uma única e grandiosa história. Por outra palavras, acredito que a integração da ciência e da espiritualidade permitirá às diferentes tradições espirituais reconhecer a sua unidade subjacente – unidade que o poeta Rabindranath Tagore denominava “a religião do homem”. No hinduísmo, ela é, às vezes, designada sanatana dharma, a religião eterna. A diversidade de religiões permanecerá, é claro, mas sobreposta a uma unidade subjacente.
 
 
in “A Janela Visionária”
(Um Guia para a Iluminação por um Físico Quântico)
de Amit Goswami
 
 


publicado por eva às 19:39
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