Eva percorrendo umas vezes estradas, outras veredas. Caminhando sempre com amor e a esperança de encontrar a porta certa. Parando de vez em quando para retemperar forças... admirar uma flor… uma paisagem… fazer novas amizades... e meditar... e reencontrar velhos amigos... e demais companheiros de jornada!
Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry (29 de junho de 1900, Lyon - 31 de julho de 1944, Mar Mediterrâneo)

 

 

Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho.

 

 

 

Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão." 

Reflecti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1 era assim:

 

 

Mostrei a minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: "Por que é que um chapéu faria medo?"

O meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. O meu desenho número 2 era assim:

 

 

As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas e é cansativo, para as crianças, estar sempre a explicar-lhes.

Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo. E a geografia, é claro, serviu-me de muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.

Tive assim, no decorrer da vida, muitos contactos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião.

Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada por conhecer um homem tão razoável.

 

in "O Principezinho"

de Antoine de Saint-Exupéry

 



publicado por eva às 17:41
Domingo, 27 de Junho de 2010

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, França, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

 

 

 

 



publicado por eva às 13:47
Domingo, 20 de Junho de 2010

Carl Czerny (Viena, Áustria, 21 de Fevereiro de 1791 — Viena, 15 de Julho de 1857)

 

 



publicado por eva às 00:32
Domingo, 13 de Junho de 2010

Georges Alexandre César Léopold Bizet (Paris, França, 25 de outubro de 1838 - Bougival, 3 de junho de 1875)

 

 

 



publicado por eva às 07:33
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010

Isaac Manuel Francisco Albéniz y Pascual (Camprodón, Espanha; 29 de Maio de 1860 – Cambo-les-Bains, França; 18 de Maio de 1909)

 

 

 

 

 

"Asturias" - "Leyenda" por John Williams

 



publicado por eva às 07:30
Terça-feira, 01 de Junho de 2010

Em Portugal comemora-se hoje o Dia da Criança.

Decidi ilustrá-lo com uma das mais belas páginas sobre crianças.

 

Pede-se a uma criança: Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor! Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

 

de Almada Negreiros

in "O Regresso ou o Homem Sentado - III parte" 

 



publicado por eva às 23:30
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