Eva percorrendo umas vezes estradas, outras veredas. Caminhando sempre com amor e a esperança de encontrar a porta certa. Parando de vez em quando para retemperar forças... admirar uma flor… uma paisagem… fazer novas amizades... e meditar... e reencontrar velhos amigos... e demais companheiros de jornada!
Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão.

Max Plank



publicado por eva às 00:33
Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

A ciência serve apenas para verificar as descobertas do instinto.


Jean Cocteau



publicado por eva às 00:31
Sábado, 03 de Outubro de 2009


Esta é realmente a grande ansiedade, porque quanto mais a vida para cá do túmulo se alarga em actividade e se multiplica em força mais profundamente se infiltra na alma a ânsia do não cessar... Em suma esta geração nova sente a necessidade do divino. A ciência não faltou, é certo, às promessas que lhe fez: mas é certo também que o telefone, o fonógrafo, os motores explosivos e a série de éteres não bastam a acalmar e a dar felicidade a estes corações moços. Além disso, eles sofrem desta posição ínfima e zoológica a que a ciência reduziu o homem, despojado por ela da antiga grandeza das suas origens e dos seus privilégios de imortalidade espiritual. É desagradável, para quem sente a alma bem conformada, descender apenas do protoplasma; e mais desagradável ter o fim que tem uma couve, a quem não cabe outra esperança senão renascer como couve. O homem contemporâneo está evidentemente sentindo uma saudade dos tempos gloriosos em que ele era a criatura nobre feita por Deus, e no ser corria como um outro sangue o fluido divino, e ele representava e provava Deus na Criação, e quando morria reentrava nas essências superiores e podia ascender a anjo ou santo.[...]
O estridente tumulto das cidades, a exageração da vida cerebral, a imensidade do esforço industrial, a brutalidade das democracias hão-de necessariamente levar muitos homens, os mais sensíveis, os mais imaginativos, a procurar o refúgio do quietismo religioso – ou pelo menos a procurar no sonho um alívio à opressão da realidade. Mas esses mesmos não podem nem destruir, nem sequer desertar o trabalho acumulado da civilização. Estão dentro dela, encarcerados nela – e o mais que podem é reagir, com o seu idealismo exacerbado, sobre o materialismo ambiente. O que sucederá é que, sobre muitos problemas que a ciência não pôde ainda resolver, se vai exercer, como um socorro imprevisto, a acção da fé, uma fé renovada e transformada, acomodada às exigências da civilização e da própria ciência, que poderá ser chamada de neocristã – e que não será talvez mais que uma espécie de protestantismo, à Schlevermaker, filosófico e requintado. É esta acção que nós estamos vendo, ainda vaga, mas já viva, operar sobre as questões sociais com o nome de socialismo cristão.

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. Eça de Queiroz in "Notas Contemporâneas"

 

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publicado por eva às 20:25
Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Há 167 anos, a 26 de Fevereiro de 1842, nasceu Nicolas Camille Flammarion  em Montigni-Le-Roi, região leste da França, tendo falecido a 3 de Junho de 1925 em Juvisy-sur-Orge.

Os pais de Flammarion tiveram mais três filhos, Berthe Martin, Ernest e Marie Valliant (Ernest Flammarion tornou-se dono de uma livraria e editora que publicou, e ainda publica, algumas das obras do irmão).

Embora o pai fosse céptico em assuntos de religião, a sua mãe era católica praticante e acreditava que o filho pudesse dedicar-se à vida eclesiástica. Mas os interesses do pequeno dirigiam-se mais para as ciências e quando o pai lhe emprestou um livro de Cosmografia, ele copiou-o, especialmente os sistemas de Ptolomeu, Copérnico e Tycho-Brahe.
O seu interesse pelos livros veio desde os tenros anos da infância e, aos oito anos, Flammarion  já possuía uma biblioteca de 50 volumes.

Aos 15 anos escreveu um livro de cerca de 500 páginas, que ele próprio ilustrou com 150 desenhos, intitulado "Cosmogonia universal: estudo do mundo primitivo". Este trabalho seria publicado mais tarde com o título: "O mundo antes da aparição do homem."
Com este livro em mãos, o jovem apresentou-se no Observatório de Paris, à época dirigido por Le Verrier, o astrónomo que havia descoberto Neptuno sem instrumentos, apenas usando cálculo. Após ser entrevistado e avaliado foi aceite como aluno astrónomo.
Entre os tipos de actividades que realizou, Flammarion mediu estrelas duplas e realizou cálculos das suas órbitas, estudou a direcção das correntes aéreas, fez estudos higrométricos do ar, analisou a rotação de corpos celestes, elaborou mapas de Marte e escreveu trabalhos sobre a constituição física da Lua.

Aos 19 anos, em 1861, publicou o seu primeiro livro: "Pluralidade dos Mundos Habitados".
Esta obra trata do sistema solar, realiza um estudo comparativo dos planetas, discute a fisiologia dos seres a fim de abordar a questão da habitabilidade, trata de habitantes de outros mundos e da pluralidade dos mundos ante o dogma cristão.

Em Junho de 1863, tornou-se redactor científico da revista "Cosmos", colabora nas revistas "Siècle", "Magasin Pittoresque" e funda, em 1882, a revista "L"Astronomie".

Em 1883, funda o Observatório de Juvisy onde passou a realizar os seus trabalhos nas áreas de astronomia, climatologia e meteorologia.

Quatro anos depois, fundou a Sociedade Astronómica de França com o objectivo de "difundir as Ciências do Universo e fazer os amadores participarem do seu progresso". Entre outros prémios e distinções foi-lhe atribuído, pela Academia Francesa, o prémio Montyon, em 1880, pelo seu livro "Astronomia Popular". Nas suas memórias, Flammarion refere as distinções “Ruban Violet” de oficial da instrução pública, a “Grande Ordem da Cruz de Isabel a Católica” e a “Cruz da Grande Ordem de Carlos III”, oferecidos pelo governo espanhol. D. Pedro II, imperador do Brasil, foi pessoalmente ao observatório de Juvisy entregar-lhe a comenda da "Ordem da Rosa" e Flammarion recebeu das mãos do rei e da rainha da Roménia o título de "Grande Oficial da Estrela da Roménia".

No entretanto, em 1861, ao folhear alguns livros numa livraria, deparou-se com “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, tendo constatado que a obra tratava, entre outros, do assunto do livro que ele estava escrevendo: “Pluralidade dos Mundos Habitados”. O que mais o intrigou é que a origem das informações era atribuída a espíritos, o que ele resolveu verificar.
Procurou Allan Kardec e passou a assistir às reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Flammarion frequentou, também, as sessões de uma médium de efeitos físicos, Mme. Huet, onde se cruzou com Victorien Sardou e o livreiro Didier. Outro grupo importante com que o jovem Flammarion parece ter tido contacto, por via literária e pessoalmente, foi o grupo de Victor Hugo.

No entanto, as ideias positivistas, especialmente as referentes ao conceito e papel da ciência no conhecimento, eram marcantes no seu espírito. O empirismo de braço dado com a razão, a construção das teorias a partir da observação dos factos e o uso da matemática na análise dos fenómenos são uma constante na construção do seu pensamento, seja nas pesquisas astronómicas, seja nas pesquisas psíquicas.
Fiel a estes princípios, Flammarion adoptou uma postura reservada na análise dos fenómenos espíritas.
Isso não obstou a que fosse convidado a discursar no funeral de Allan Kardec tendo, na circunstância, reconhecido o trabalho do codificador do Espiritismo, considerando-o "o bom-senso encarnado", e propondo-se desenvolver o aspecto científico do Espiritismo afirmando: "Conforme o seu próprio organizador previu, esse estudo, que foi lento e difícil, tem que entrar agora num período científico. Os fenómenos físicos, sobre os quais a princípio não se insistia, hão-de tornar-se objecto da crítica experimental, a que devemos a glória dos progressos modernos e as maravilhas da electricidade e do vapor. (...) Porque, meus Senhores, o Espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o a, b, c. Passou o tempo dos dogmas."

Na suas memórias Flammarion afirma ter sido convidado a presidir à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, tendo declinado e explicando porquê:
"O comité ofereceu-me suceder a Allan Kardec como presidente da Sociedade Espírita. Eu recusei, dizendo que nove décimos dos seus discípulos continuariam a ver, durante muito tempo ainda, uma religião mais que uma ciência, e que a identidade dos "espíritos" estava longe ainda de ser provada."

 

 

 

Anualmente celebram-se, em França,  as “Festivités Flammarion”.

 

 



publicado por eva às 00:29
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