Eva percorrendo umas vezes estradas, outras veredas. Caminhando sempre com amor e a esperança de encontrar a porta certa. Parando de vez em quando para retemperar forças... admirar uma flor… uma paisagem… fazer novas amizades... e meditar... e reencontrar velhos amigos... e demais companheiros de jornada!
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Não há nada de tão absurdo ou ridículo que em algum momento não tenha sido dito por algum filósofo.

Oliver Goldsmith



publicado por eva às 00:31
Sábado, 01 de Novembro de 2008

 

As grandes religiões do mundo, unidas nos seus núcleos esotéricos... … divergem grandemente na sua expressão esotérica porque apresentam a cosmologia de modos diferentes. Além disso, na ausência de uma ciência, mitologizam as suas cosmologias. A minha esperança é a de que, conforme ganhe força cosmológica dentro da consciência, esses mitos dêem lugar a uma re-iluminação da unidade subjacente de todas as religiões.
Vejamos a versão mitologizada da cosmologia cristã. Como Eva comeu a maçã do conhecimento mundano e persuadiu Adão a fazer o mesmo, a humanidade conheceu a separação e decaiu da perfeição do Éden. Deus, então, enviou seu filho único e amado, Jesus, para restituir a humanidade decaída ao Éden, à perfeição. Jesus, portanto, é a única porta de volta ao Éden.
Mas a história da queda a partir do Éden vem da tradição judaica, que tem uma versão diferente do fim da história. Sim, declaram as autoridades espirituais judaicas, haverá um messias, no “fim dos tempos”, que vai redimir a humanidade (ou, pelo menos, os eleitos) de volta à perfeição mas Jesus não é esse messias.
Estão traçadas, assim, as linhas de batalha: os judeus acham que os cristão são “inferiores”, porque se contentaram com um falso messias; os cristãos acham que os judeus são “inferiores”, porque “mataram Cristo”. Os muçulmanos rejeitam toda essa ideia de “filho de Deus”: Deus envia mensageiros apenas para recordar à humanidade que Deus é o seu Senhor. Moisés e Jesus estão entre esses mensageiros, mas o último, e o melhor de todos, foi Maomé.
Os hindus parecem concordar com os cristãos que Deus pode surgir, e surge, sob forma humana, como “filhos de Deus”. Sempre que as forças do mal parecem vencer o bem, Deus encarna como avatar para alcançar o bem acima do mal, ainda que temporariamente. Krishna foi um desses avatares; assim como Buda e Jesus.
Os budistas sustentam, numa outra variação do mesmo tema, que os seres humanos comuns podem readquirir a perfeição pelo esforço próprio. Esse seres aperfeiçoados, em vez de retornar para o “Éden”, permanecem no limiar dele, como bodhisattvas, até que a humanidade inteira se tenha redimido também.
O mais recente desenvolvimento do pensamento ocidental, o pós-modernismo, deu-nos o descontrucionismo (“Deus está morto” e toda a metafísica é falsa) e uma visão de mundo ecológica na qual Deus está totalmente imanente no próprio mundo. O Éden é aqui, e não há necessidade de postular transcendência, queda ou jornada espiritual de retorno.
Qual é, então, a versão certa? Nós jamais conseguiremos resolver isso pelo debate, como já demonstraram os últimos milénios. No entanto, proponho que, conforme vamos adquirindo a compreensão da cosmologia da condição humana e da natureza do caminho espiritual, todas essa versões divergentes serão vistas como expressões de uma única e grandiosa história. Por outra palavras, acredito que a integração da ciência e da espiritualidade permitirá às diferentes tradições espirituais reconhecer a sua unidade subjacente – unidade que o poeta Rabindranath Tagore denominava “a religião do homem”. No hinduísmo, ela é, às vezes, designada sanatana dharma, a religião eterna. A diversidade de religiões permanecerá, é claro, mas sobreposta a uma unidade subjacente.
 
 
in “A Janela Visionária”
(Um Guia para a Iluminação por um Físico Quântico)
de Amit Goswami
 
 


publicado por eva às 19:39
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