Eva percorrendo umas vezes estradas, outras veredas. Caminhando sempre com amor e a esperança de encontrar a porta certa. Parando de vez em quando para retemperar forças... admirar uma flor… uma paisagem… fazer novas amizades... e meditar... e reencontrar velhos amigos... e demais companheiros de jornada!
Domingo, 10 de Outubro de 2010

Jacques (Jacob) Offenbach (Colónia, Alemanha, 20 de Junho de 1819 — Paris, França, 5 de Outubro de 1880)

 

 

 

 

 

 

"Galope infernal" de "Orfeu nos infernos" 

com Hillevi Martinpelto, Heather Lorimer, Catherine Vandevelde, Doreen O'Neill, Zachos Terzakis, Koen Crucke

 

 

"Barcarola" (instrumental) de "Os Contos de Hoffmann"

 

"Barcarola" de "Os Contos de Hoffmann"

com Elina Garanca e Anna Netrebko

 

"Oh, que jantar" de "A Perichole" com Teresa Berganza

 



publicado por eva às 00:31
Domingo, 17 de Janeiro de 2010

Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões (Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 - 21 de Agosto de 1986) 

 

 

Perfilados de medo
 
Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.
  
Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.
  
Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...
 

 

 

O Poema Pouco Original do Medo
 
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
 
Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos
 
O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos 
heróis
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários
          (assim assim)
escriturários
          (muitos)
intelectuais
          (o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com certeza a deles
 
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
 
Ah o medo vai ter tudo 
tudo
 
(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer)
 
             *
O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos
 
Sim
a ratos

 

 
in  "Alexandre O'Neill - Poesias Completas 1951/1983”
 


publicado por eva às 11:58
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